Domingo, Julho 16, 2006

And now for something completely different: os factos.

Toda a opinião unânime é idiota. Mas mais que isso: é, sobretudo, perigosa. O perigo está em não haver fundamento no que é unânime. Os factos não são só os factos, e qualquer pessoa com um cérebro próprio saberá que a História é indispensável na compreensão da actualidade. Um facto nunca é um acontecimento isolado: tem causas e consequências, antecedentes e subsequentes.

As opiniões unânimes são um modo cobarde de tomar posição: sem reflexão e sem estudo, sem comprometimento, sem verdadeira opinião. Quem aceita todas as opiniões veiculadas por uma retórica poderosa não tem, afinal, opinião nenhuma. Nem merece. Quem não questiona o que lhe é ensinado nem sequer é digno do ensinamento.

Mais: a unanimidade, em democracia, é a prova de que há algo de errado. Quando um governo ou um presidente é eleito por maioria absoluta é porque a democracia está em perigo. Se um sistema aberto a todas as posições se afunila numa única opinião ou num único modo de pensamento, a democracia está limitada: ou seja, ameaçada.

O perigo da unanimidade é o perigo do preconceito: que é um conceito sem fundamento. Os preconceitos unânimes, digamos assim, foram veículos de grandes massacres. O Nazismo será talvez o caso mais mediático. Hitler era um magnífico orador: serviu-se da democracia para acabar com ela. A massiva votação que obteve é demonstrativa do perigo das unanimidades. O resto, como se diz, é História.

Isso leva-me onde eu queria chegar: Israel.

O preconceito contra Israel não é só um, são dois: o anti-americanismo e o anti-semitismo. Antigos, antigos. Curioso que tenham sido estas as raízes do Nazismo. Curioso que se mostrem hoje tão vivas como antigamente. Curioso. O tempo dirá se, ao invés de curioso, o facto não será afinal perigoso.

O argumento contra Israel é sempre o mesmo: os palestinianos estão a defender a sua terra. Meus amigos, que terra? Elucidemos: há três mil anos que existem judeus na região da Palestina. Mas não é preciso ir tão longe, não é preciso alegar a quantidade de vezes que o povo foi expulso da região ao longo dos séculos. Basta ficarmo-nos pelo Século XX, em plena Segunda Guerra Mundial: Hitler exterminava quantos queria no seu quintal e nos quintais em volta; Estaline idem. Houve quem escapasse, quem se exilasse, quem fugisse: para os EUA. E para a Palestina.

Na verdade, até à criação do Estado de Israel em 1948 as populações muçulmanas e judaicas viveram em paz. Na verdade, o Estado da Palestina só foi proclamado em 1988, numa retaliação infantil e rancorosa à formação do Estado Sionista (previsto desde o Século XIX). Na verdade, se não se reconhece povo israelita muito menos se poderá reconhecer povo palestiniano. Na verdade, Israel é atacada desde que o Estado foi criado. Na verdade, Israel é uma democracia liberal e os países muçulmanos em volta são regimes autocráticos, subdesenvolvidos, opressivos, que violam os direitos humanos. Na verdade, os muçulmanos não são capazes de reconhecer um Estado judeu porque são incapazes de aceitar a diferença. Na verdade, não há qualquer argumento que defenda a causa palestiniana. Apenas equívocos, bílis anti-americana, anti-semitismo vintage, idiotices várias.

O momento presente é especialmente dado a equívocos motivadores das tais idiotices: Israel ataca fortemente o Líbano para a libertação dos soldados israelitas raptados. Todos se horrorizam com a violência israelita: ninguém, mais uma vez, está interessado nas causas. Quando, há uns meses, Israel se retirou pacificamente da Faixa de Gaza, os ataques terroristas não cessaram, a barbárie continuou, perdurou a luta pela libertação: mesmo que a libertação estivesse já assegurada.

O Estado de Israel não se podia mostrar fraco neste momento. Não se pode ser tolerante com a barbárie muçulmana, não se pode resistir passivamente a quem nos ataca sem cessar, não se pode apenas defender. Uma Israel que não respondesse à violência constante do Islão, era uma Israel humilhada, fraca, vulnerável. Uma Israel que continuasse impávida e serena perante os barbarismos muçulmanos era uma Israel que, a médio prazo, seria esmagada pelo totalitarismo radical.

Como tantas vezes vimos na História: democracias tolerantes destruídas pela intolerância totalitária.

Bem vindo ao fim.